20
dez

Ano terminando; Ano Produtivo

              

Este ano foi um ano bastante produtivo para o Odilara. Lançamos nosso CD autoral em Agosto, depois de uma maratona de gravações que englobaram o seguinte sistema: uma pré-produção foi feita, onde fizemos os arranjos das músicas, suas estruturas, concepções rítmicas, temas, melodias, estrofes e refrões, bem como andamentos (beat, bpm), incorporação das letras e dos solos de guitarras, ou seja, estruturas gerais que deram vida a todas estas músicas que estão no novo álbum. Foram muitos ensaios, não me lembro agora de quantos, mas algumas boas semanas foram tomadas para concebermos o novo disco. Em seguida, nos juntamos ao nosso parceiro, músico e produtor musical, Rogério Delayon (que já havia produzido o primeiro CD), e foi aí que as canções e arranjos, já com um cara definida, foram de certa forma lapidadas, “limpadas” e acertadas pra entrarmos no estúdio. Em seguida, fomos até o estúdio de Lênis Rino e da Imago Vídeo, Sala da Toscaria, pra começarmos as gravações de baterias (feitas por quem os escreve!!!) e baixo, mas com a presença de todos da banda. Faz-se o seguinte: primeiro, acertamos o som da bateria, suas equalizações, timbres, microfonações, posições dos mics, quantos deles iremos usar e, já com o baixo, violão, guitarra e vozes em linha, começamos a gravas as guias com o auxílio de um metrônomo, um aparelho que serve para medir o andamento das músicas (suas “velocidades”), baseado em batidas por minuto (os famosos bpm’s). Deixamos dois compassos em branco, geralmente, e começamos a gravar, música por música, faixa por faixa, “take” por “take”, trecho por trecho… Muitas vezes a música sai por inteiro, outras vezes temos de fazer emendas, colagens (digitais, não com rolo e cola adesiva como se fazia nos anos 70!!!) por alguma dificuldade, ou se aproveitando um trecho mais bem tocado que ficou em um” take” anterior. Tais “tocadas” ficam arquivadas no computador da sala técnica ou são deletadas (como fazemos todos nós com nossas fotos desfocadas, músicas que não aguentamos mais ouvir, etc), podendo ser acessadas de imediato ou simplesmente descartadas se não nos servirem mais. Como disse, trechos podem ser aproveitados, tanto de baixo como de bateria, fazendo com que o trabalho seja um pouco menos enorme ou desgastante. Mas o ideal é que se grave toda a faixa por inteiro, pra que haja uma unidade sonora, timbrística e de dinâmica (noções de forte, médio, fraco – Intensidade ou pressão sonora, sacaram?).

                                                 

   Ufa!!! Feito tudo isto, pega-se todos os baixos tocados e salva- se os bons, deleta-se os ruins, grava-se todos outra vez se preciso for e junta-os às baterias, os editando e sincronizando-os entre si e ao click, limpando-se frequências indesejáveis, ruídos, sobras, etc. Gravamos (gravei!!!) as baterias em três dias, devem ter sido umas 16h. Junto a alguns baixos que ficaram bons.

   Em seguida, o processo continua, e fomos gravando, faixa por faixa, os baixos (aqueles que precisaram); violões, como bases harmônicas, efeitos; guitarras, das quais se precisaram várias horas guitarrísticas pra ficarem prontas, já que foram, no disco, explorados vários timbres, bordões, tiveram várias bases, temas, solos e pesquisas de efeitos ( não me recordo quantas horas, mas sei que foram muitas); seguiu-se o processo e fizemos as percussões, das quais eu já tinha idealizado algumas linguagens e arranjos, que com nosso amigo Bill Lucas, com vários arranjos também pensados e anotados deram, junto ao nosso amigo Luciano Cuíca Play, deram o famoso molho, o swing e a malemolência rica e expressiva desta belo instrumento. Findadas as percussões vieram os sopros, lindamente pensados e executados por nossos finos amigos Leonardo Brasilino (o nosso Brasuca aos trombones) e nosso divertido e alto astral Gilberto Júnior aos trompetes, arrebentando e “botando aquela pressão de metaleira no som” !!! Preciso citar que, enquanto tudo isto esteve rolando, nosso produtor musical tudo editava, cortava, colava, acertava junto aos clicks. Tudo muito bem gravado e captado já em sua “Toca do Leão”, seu estúdio de gravação.

   Vieram as vozes, então, parte delicada e complexa, que lida com impostação, afinação, colocação das palavras, suas divisões rítmicas e fraseados, respiração, por aí vai. Ao meu ver, um dos instrumentos mais complexos (se não o mais!!!) existentes, fisiológico e muito humano. E executado, eximiamente, por nossa fera dos voai, Senhorita Andréia Furtini e suas divisões rítmicas a la Elis Regina. Dobras de vocais foram feitas, assim como backing vocals, refrões e estrofes dobradas, tudo com muita minucia, profissionalismo e talento.

   Com tudo gravado e editado, parte-se pra mixagem, onde juntamos todos os instrumentos, editamos e selecionamos o que, do que foi gravado, vai ficar, o que não vai, os volumes das peças de cada música, o que fica mais “na frente”, ficar no meio, pra onde cada coisa vai em cada caixa, se algo transita de um lado ao outro, de que lado cada percussão ficaria, etc. Trabalho árduo e democrático, feito junto ao famoso Cabelo no seu estúdio Engenho (o cara é um mestre nos que faz, diga-se de passagem). Tudo tem de ser feito com bom senso e consenso, entre todos da banda, o produtor e o técnico, pra que tudo fique lindo e em seu devido lugar.

                    

   A partir daí, parte-se para a masterização, que é o que faz com que o som se adense, se avolume, se comprima, e chegue com mais pressão nos aparelhos de som de seus carros, suas casas, seus computadores, iphones, celulares, etc. É o processo final, e foi feito em Miami, no estúdio Redtraxx por Felipe Tichauer. E o mais legal: por e-mail!!! Fazia-se uma máster de todo cd, nos enviava por e-mail, ouvíamos, digeríamos, anotávamos tudo, e, se não estivesse de nosso agrado, voltávamos com todo material pra eles, pra que refizessem ao nosso agrado.

   Daí, partir-se-ia para a concepção do álbum físico, mas aí já é outra história…

  Abraços a todos e que ano que vem tenhamos energia, criatividade e ideias para a criação de um novo disco, nosso III, nesta nova fase do Odilara que, agora, presa pelo autoral!!!

   Feliz Natal, muita luz e amor no caminho de todos!!! Um belo 2014 pra vocês!!!

Paulo Espinha

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