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jan

"Máquina de Pinball" – a Peça

 Oi Pessoal, como vão?

 Quem escreve hoje sou eu, Gustavo Scarpa, baixista e vocal do Odilara, pra compartilhar com vocês mais um pouco da minha trajetória na música. 

 No ano de 2008 estreou em BH o espetáculo “Máquina de Pinball”, realizado pelo “O Coletivo”, produzido pela “Aff! Comunicação e Cultura” e que teve trilha sonora original composta, produzida e gravada por mim.

 Ainda em 2007 recebi o convite de Priscilla D’Agostini, Diretora de Produção e Atriz, e aceitei de cara; A peça era uma livre adaptação do primeiro livro da escritora Clarah Averbuck, e trazia uma história sobre relacionamentos e suas dificuldades, amor, solidão e vícios vistos sob o olhar do mundo contemporâneo. Com direção de Gil Esper, a adaptação de Marina Viana trazia uma linguagem abstrata e fragmentada influenciada pela música – especialmente o rock – e seus videoclipes. 

 Toda essa atmosfera atraiu meu interesse. Senti que minha linguagem musical se encaixaria muito bem na história e no ambiente. E não deu outra: Gravei quase tudo empunhando apenas minha guitarra e meu baixo, programando e experimentando todo o resto. Exceto por algumas “faixas”, que vale a pena citar:

  O primeiro desafio foi logo o que seria uma das únicas canções da trilha, que faria parte do começo do espetáculo. Música e letra bem dark, melancólicas, quase deprê. Como referência “My sweet prince”, da banda inglesa Placebo. Depois de esboçada a harmonia, convoquei meus colegas Eurípedes Neto, violonista e compositor do Odilara e Marcelo Franco, guitarrista da banda na época; Fizemos a letra e parti pra gravar. Como precisava de mais impacto e profundidade, fui atrás do meu parceiro Fabrício Galvani, que tocou bateria e gravamos em seu estúdio, o Casa Antiga. Além das guitarras e baixo, fui responsável também pelas vozes, numa das músicas que mais gosto entre todas que participei:

 O curioso foi que, no fim das contas, ela acabou não entrando no espetáculo mas se tornou uma integrante muito forte do meu trabalho!

 Outra que teve um processo bem interessante foi uma música que gravei quase toda usando a boca. Dei a ela o nome de “Jitterbug”, que se refere ao estilo de dança popularizado no início do século 20, percurssor do lindy-hop e do rock’n roll, ao som do swing jazz, estilo que busquei nessa música.
 Gravei baixo e guitarra normalmente, mas sabia que a levada da bateria precisava ser mais livre e orgânica; Como não dispunha de uma bateria pra gravar em casa, gravei Bumbo e Chimbal usando técnica de beat-box; Improvisei o Tom da bateria com um balde de plástico abafado, tocando com baquetas normais, e consegui chegar no groove mais natural que queria.
 E como um bom swing jazz, não poderiam faltar os metais; Nessa época eu já utilizava uma técnica de simular o som do trompete e do trombone com a boca nos shows do Odilara e não tive dúvida: Gravei uma “linha de trompete e outra de trombone” fazendo a melodia da música e esse foi o resultado:

 Pra contextualizar e dar unidade junto ao resto da trilha, acrescentei uma linha de guitarra abusando dos delays e “Jitterbug” acabou sendo usada quase como tema da peça; Foi BG dos spots de rádio e também do VT promo.

 Além dessas vale a pena citar “Geração SPC”, cuja letra me foi entregue pelo Isaque Ribeiro, o ator/músico da peça, e é uma sátira dos jingles de programas de auditório que vemos por aí. Ela fala das gerações consumistas que se perdem tentando saciar seus vícios, mas de forma muito irreverente e engraçada. Essa foi mais uma que gravei no estúdio Casa Antiga; Fiz os arranjos, gravei vozes, guitarra, baixo e teclados. É a penúltima música da trilha completa, que está no meu Soundcloud e trouxe aqui pra vcs conferirem:

 Foi um trabalho muito gratificante, onde tive excelente liberdade criativa e tudo fluiu bem. No conjunto da obra, foi tudo feito com muito carinho e devidamente reconhecido:
 A peça ganhou o prêmio Funarte Miriam Muniz de Teatro 2007, o Prêmio Procultura de 2010, Melhor Cenário, melhor Figurino e Espetáculo Destaque do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, participou do FIT BH 2010, além de ter passado por São Paulo e Rio em 2012 e Florianópolis em 2013.

 E como a internet é essa ferramenta tão generosa, ninguém precisa ficar só na vontade. A peça está diponibilizada na íntegra no YouTube. Enjoy!

Autoria do texto original: Clarah Averbuck 
Direção: Gil Esper 
Elenco: Priscilla D´Agostini, Isaque Ribeiro e Rodrigo Fidelis 
Adaptação: Marina Viana 
Assistentes de direção: Marina Viana e Flávia Fernandes 
Vídeos: Alexandre Braga 
Trilha sonora: Gustavo Scarpa 
Figurinos: Paolo Mandatti 
Cenário: Gil Esper 
Iluminação: Marina Arthuzzi e João Dadico 
Fotografia: João Castilho 
Direção de produção: Priscilla D’Agostini 
Produção: Vinicius Santos – Aff! Comunicação e Cultura
Realização: O Coletivo

Equipe Máquina 2008

 Pra finalizar, “fotinha” da turma quase toda nos ensaios finais em 2008. Eu tô na parte de cima, à direita, de boné e com a camisa branca do saudoso “Alarido”.

 Abraços!
Gustavo Scarpa.

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