28
abr

A Música como Cura da Alma!!!

A Música como Cura da Alma!!!

 

 

 

  Pessoal, hoje vou direto ao assunto: quero neste post falar sobre a importância da musicoterapia. Vi um belíssimo filme que recomendo a todos, apreciadores ou não da música, naquele nosso cinema que é um dos que ainda resta nas ruas, o cine Belas Artes. O filme, chamado “A Música Nunca Parou”, traz um relato real de um estudo de caso de Oliver Sacks, Neurocientista, Psicanalista, apreciador da música, e um cientista que se aventurou a escrever sobre a musicoterapeuta. Este relato mostra a história de um jovem que desenvolve um tumor cerebral que afeta suas memórias, tanto recentes como antigas, e o faz ficar “perdido” no tempo e no espaço. Sem querer acabar com as surpresas que o filme reserva, esta personagem acaba por fugir de casa e ficar desaparecido por anos, desorientado e perdido no espaço-tempo.

                            Capa filme 

   A música nos traz a memória musical, mexe com nossa emoções, sentimentos.  A música também trabalha com memórias recentes e memórias antigas, nos remete a cheiros, gostos, sensações. Como bem disse nosso guitarrista Marcelo Bontempo, inspirado por uma entrevista que leu com Marcelo Camelo, do Los Hermanos, a música é nossa companheira… E como companheira, nos possibilita resgatar certas vivências, quer sejam de momentos de tensão ou ansiedade, quer sejam de leveza e conforto, paz interior, felicidade. A musicoterapia, dentro da vivência representada no filme, traz à personagem tudo isto e muito mais, pois traz de volta sua capacidade de se comunicar, de narrar questões de sua vivência que foram esquecidas, e é ela quem traz à tona estas memórias “perdidas” ou desaparecidas.

                                                                                                file a musica

   Como músico e professor, à pouco tempo, a algumas semanas, participei de uma bela apresentação que envolvia a aplicação prática da musicoterapia. Institutos belo-horizontinos de musicoterapia se juntam todos os anos para realizar tal evento, sempre no Hard Rock Café, onde estão presentes pessoas com retardo mental, Síndrome de Down, autismo e com outros tipos de desordens e síndromes cerebrais, que afetam também as capacidades físicas. Vi e acompanhei, à bateria, com prazer, um cavaquinista com Síndrome de Down, que executou de forma memorável “Garota de Ipanema”, “Samba de uma Nota Só”, e outras mais, assim como tocou pandeiro de partido alto e repinique… E ainda tinha uma namorada, também com a síndrome, que subiu ao palco, o homenageou de forma bastante eloquente, com um timbre de voz quase que perfeito. E foi a música, junto à arte e sociabilização, que os colocaram neste nível elevado para quem tem a síndrome. A música tem este poder de sociabilizar, de gerar integração, de incitar a criatividade, a extroversão… Uma execução do “Trenzinho do Caipira”, com pessoas com diferentes tipos de problemas mentais, com diferentes tipos de instrumentos alternativos, me mostrou, e mostrou a todos os envolvidos, graus altíssimos de satisfação, bem estar, alegria e realização pessoal. Inclusive para suas famílias, parentes, amigos. Para estas pessoas que tem de ter cuidados diários e especializados, e que estão sendo inseridos socialmente, e não excluídos como geralmente acontece em nosso país, tais ações são importantíssimas para que possam viver de forma digna, includente.

musica pai filho

    Nós, do Odilara, tivemos o prazer de ver pessoas nestas condições adorarem os shows em nossa primeira fase. Nesta nova fase, autoral, esperamos ter possibilidade de, também, contribuir para que este seguimento da sociedade possa refletir, ter sensações, ter a companhia de nosso som. Porque a música é muito mais do que acordes musicais, melodias, andamentos, agógica, dinâmica, ritmo e harmonia: ela mexe com nossa alma, nosso espírito, nosso coração e nos acompanha a, por pelo menos, mais de dez mil anos.

   Abraços a todos…

   Paulo Espinha.

Recomendações de leituras e pesquisa: Filme “A Música Nunca Parou”, de Jin Kohlberg- www.adorocinema.com;

                                                         Livro: “Alucinações Musicais”, de Oliver Sacks;

                                         

                                                           biblioteca-da-musicoterapia.com/biblioteca/…/cybelle-maria-loureiro.pdf‎;

                                                           www.deliamatos.com.br/2/post/2012/11/musicoterapia-e-alzheimer.html;

                                                           Clínica de Musicoterapia Délia Matos- http://www.deliamatos.com.br.

 

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